Home / Geral / Mortes em ações policiais crescem 400% em RO; Porto Velho lidera | G1

Mortes em ações policiais crescem 400% em RO; Porto Velho lidera | G1

📊Porto Velho concentrou a maioria dos casos: foram 24 mortes em 2025, contra quatro no ano anterior.

De acordo com o promotor Pablo Viscardi, do Ministério Público de Rondônia (MPRO), o aumento das mortes em Porto Velho está ligado às brigas entre facções criminosas, que cresceram na cidade. Isso fez a polícia intensificar operações e reforçar o patrulhamento nas ruas.

“A crescente intervenção policial, seja na realização de operações decorrentes de investigações, seja no policiamento ostensivo, aliada à extensão territorial do município, que é um dos maiores do Brasil, ajuda a explicar esse cenário”, afirma o promotor.

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Janeiro e julho concentram os confrontos mais letais

De acordo com o Observatório, janeiro foi o mês mais violento, com 12 mortes em Porto Velho. Esse número pode ser explicado porque o período coincidiu com uma onda de ataques no estado e diversos confrontos entre a polícia e o Comando Vermelho.

Dois episódios são apontados como estopim da escalada dos confrontos:

Julho foi o segundo mês com mais mortes: dez no total. Sete delas aconteceram em um confronto entre a Polícia Militar e suspeitos do Primeiro Comando da Capital (PCC), no bairro Cai N’Água, região central de Porto Velho. De acordo com a PM, o grupo se reunia para lembrar a morte de um líder da facção e planejar ataques contra rivais e planejar ataques contra integrantes de um grupo rival.

Suspeitos que entraram em confronto com a polícia — Foto: Foto: Reprodução/PM

As investigações apontam que o grupo era investigado por crimes como tráfico de drogas, homicídios, porte ilegal de armas e roubos, além de suspeita de participação em dezenas de assassinatos.

Além de Porto Velho, outros municípios também registraram mortes decorrentes de intervenção policial em 2025:

  • Machadinho do Oeste (3),
  • Rolim de Moura (2),
  • Vilhena (2) e
  • Cacoal, Espigão do Oeste, Guajará-Mirim e Monte Negro, com um caso cada.

🗓️Em 2024, além da capital, houve registros apenas em Buritis (2) e Jaru (1).

Perfil das vítimas

Todas as vítimas registradas eram homens. A maioria tinha entre 16 e 29 anos, faixa considerada mais vulnerável à violência. Também houve casos isolados de pessoas com 37 e 51 anos.

Quanto à raça/cor, os dados revelam um crescimento expressivo entre vítimas pardas: foram 4 registros em 2024 e 22 em 2025. Além disso, houve 5 vítimas brancas e uma negra.

O levantamento mostra ainda falhas na coleta de dados sociais. Em 2025, por exemplo, em 31 dos 35 casos não foi informada a escolaridade das vítimas. Essa falta de informação dificulta entender melhor o perfil social dos mortos e atrapalha a criação de políticas de prevenção.

Reforço do papel institucional de controle e fiscalização

Com o aumento das mortes em ações policiais em Rondônia, órgãos de controle dizem que intensificaram o acompanhamento dos casos. O promotor Pablo Viscardi afirmou que o Ministério Público de Rondônia (MPRO) prepara uma norma interna para padronizar as investigações.

“No dia 16 de dezembro, foi remetida à Procuradoria-Geral de Justiça e à Corregedoria-Geral da instituição uma minuta de resolução conjunta para regulamentar a investigação de crimes decorrentes ou no contexto de intervenções dos órgãos de segurança pública”, explicou.

Viscardi explicou que o Ministério Público de Rondônia (MPRO) criou um grupo especial, o Gaesp, para estudar a segurança pública. Esse grupo analisa o crime, fatores sociais e a forma como a polícia atua. O trabalho faz parte de um processo administrativo aberto neste ano.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia (OAB-RO) acompanha a legalidade das ações policiais, principalmente em situações de confronto.

Segundo o procurador-geral de Prerrogativas da OAB-RO, Gustavo Santana, a entidade recebe denúncias, orienta juridicamente e encaminha os casos aos órgãos competentes. Também acompanha investigações quando há suspeita de abusos.

A OAB-RO reconhece a importância das ações de segurança pública, mas destaca que elas precisam respeitar a lei, ser proporcionais e preservar vidas.

“É importante pontuar que a OAB/RO não substitui políticas públicas nem serviços estatais de assistência, mas atua para garantir acesso a direitos, dar visibilidade a demandas legítimas e provocar os órgãos competentes quando necessário”, concluiu.

A Rede Amazônica entrou em contato com a Polícia Militar em busca de posicionamento sobre as ações que resultaram em morte, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Marcado: