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Caso Nicinha: 10 anos do assassinato da pescadora e ativista ambiental | G1

História de Nicinha

Nicinha nasceu em Xapuri (AC) e, aos dois anos, mudou-se com a família para Abunã, distrito de Porto Velho (RO). Desde cedo trabalhou como cozinheira em restaurantes e garimpos, mas dedicou grande parte da vida à pesca.

Criou três filhas praticamente sozinha após a separação, contando com o apoio da mãe. Ao longo da vida, morou brevemente em São Paulo e no Maranhão, mas permaneceu sobretudo em Abunã, onde viveu seus últimos anos ao lado do companheiro Nei, com quem também militava no MAB.

Em Abunã, Nicinha tornou-se uma das principais vozes no ativismo ambiental e, por muitos anos, denunciou violações de direitos provocadas pela implantação de usinas hidrelétricas. Ao lado das famílias impactadas, reivindicava o direito de reassentamento do distrito em um local seguro.

O crime

Para a filha de Nicinha, a advogada Divanilce de Sousa Andrade, o assassinato foi uma tentativa de silenciar a luta da mãe.

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A condenação

Após anos preso, em dezembro de 2023, Edione foi liberado para o regime semiaberto, mas poucos dias depois foi assassinado em Rio Branco (AC).

Para a família de Nicinha, a morte do réu confesso foi uma “queima de arquivo”, dificultando ainda mais a investigação sobre os possíveis mandantes.

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Símbolo de resistência

Segundo o MAB, o compromisso de Nicinha permanece como inspiração para os atingidos. Dez anos depois, ela segue como símbolo da resistência das populações impactadas por barragens na Amazônia e da luta por justiça em casos de violência contra defensores de direitos humanos.

No último dia 7 de janeiro de 2026, o MAB apresentou a familiares, amigos e convidados um trecho da peça “As Marias Somos Nós”: um monólogo interpretado pela artista Kaline Leigue, que dá voz às experiências de mulheres aguerridas reunidas na figura simbólica de “Maria”, livremente inspirado na vida e na luta de Nicinha.

Apresentação da peça “As Marias Somos Nós” — Foto: Evelyn Morales

“Para mim, é uma honra atravessar sua história, aprender com seu legado e reconhecer a força que isso me dá para afirmar meu lugar como artista e como mulher na defesa dos meus direitos e liberdades”, pontua Kaline.

Uma das filhas de Nicinha, Divanilce, após o espetáculo, compartilhou que, apesar do sofrimento pela morte da mãe, hoje convive com um sentimento de gratidão pelo modo como a história de Nicinha ajudou e continua ajudando outras pessoas.

“Doer, não para de doer, mas eu me sinto grata sempre que nos procuram para falar sobre ela, sempre que a história dela é lembrada, por cada foto que é postada. Existe um legado que hoje impera”, diz Divanilce.

A irmã de Nicinha, Nádia Magalhães, contou que ela e toda a família não compreendiam muito bem de que forma a militante atuava nos movimentos e se surpreenderam com a repercussão do caso quando o desaparecimento veio à tona.

“Só depois que ela partiu tive noção do quanto se sacrificava para lutar pelo direito das outras pessoas. Minha irmã me ensinou muito sobre o amor ao próximo: ela dispensava qualquer conforto que tivesse para dar a quem estivesse precisando, não se apegava a bens materiais”, afirmou Nádia.

Toda a história da pescadora e ativista pode ser lida através da cartilha escrita pelo O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), através do site.

Nicinha em sua rede no acampamento em Velha Mutum, distrito de Porto Velho. — Foto: MAB/ Divulgação

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